Morre Hélio Amorim, que foi tudo na URT, de gandula a presidente

Faleceu nesta sexta, dia 8, Hélio de Castro Amorim (76), conhecido empresário e desportista. Já algum tempo, acometido de uma grave enfermidade, uma doença degenerativa, estava afastado de suas atividades normais. O velório está acontecendo na Funerária Bom Pastor e o sepultamento será às 18h, em Patos de Minas.

Hélio Amorim marcou sua trajetória no esporte, exercendo várias funções na URT, de gandula a presidente. Foi um centro-avante rompedor nas décadas de 50 e 60, com o seu poderoso “sem pulo”. Um atacante de botar medo nas defesas adversárias.

Com dez anos de idade, Hélio já jogava no time infantil da URT, comandado pelo saudoso Dr. Omar Alves Tibúrcio, ao lado de Castrinho, Gurilo, Turu, Paracatu e tantos outros. Quando não jogava no gol, sua posição original, atuava como gandula, mas não ficava fora de partida alguma.

Passou à centroavante, depois que o treinador notou nele algumas aptidões, como domínio e modo de bater na bola. Com a camisa “9”, Hélio Amorim foi artilheiro do Alto-Paranaíba em duas oportunidades.

Era conhecido como o atacante do “sem pulo”, emendando do jeito que a bola vinha e dificultando para a defesa adversária. Ainda mais quando a bola quicava no terreno, muitas vezes em canchas ruíns. Aí era uma temeridade para qualquer goleiro.

Foi de tudo na URT

Hélio Amorim foi de tudo na URT, desde gandula, atleta, diretor de futebol, tesoureiro, conselheiro, a presidente por algumas vezes. Como atleta, ingressou no time principal em 1953, permanecendo na condição de titular até dependurar as chuteiras.

No Torneio do Alto-Paranaíba, o treinador era o Alfredo Bernardino, e a URT enfrentava duríssimos adversários de Araxá (Ipiranga, Najá e Ferrocarril), Ibiá, São Gotardo, Carmo do Paranaíba, e outras cidades, com muita rivalidade.

Contra o Mamoré

Hélio Amorim é que nos falou em certa ocasião, quando entrevistado por nós para o jornal Minas Urgente:

“Jogar contra o Mamoré era algo especial. Mas o interessante, e o que muita gente não sabe, é que dentro de campo havia uma amizade muito grande entre nós jogadores. Durango, que foi meu marcador, sempre jogou leal e, pela mesma forma, o Dr. Fernando, o Bosco, o Tarzan. De forma que não havia muito problema dentro de campo e, quem se inflamava toda era mesmo a torcida”.

“Uma partida que guardo na lembrança até hoje foi quando de minha expulsão, que considerei injusta, jogando contra o Mamoré. O pessoal pergunta até hoje como foi que aconteceu. Eu vou explicar: marquei um gol, num cruzamento e posso dizer que foi sem querer, pois a minha intenção era o de cruzar a bola. Mas a bola entrou, balançou a rede, o árbitro simplesmente anulou. Fiquei nervoso, reclamei para o Nonó, que era o capitão. Tudo bem.”

“Fiz outro gol em seguida, que o árbitro acabou validando e, na comemoração, vim ao encontro ao Nonó e disse: vamos ver se este filho da mãe anula este. O juiz, um tal de Luiz Guarda, me expulsou. Este árbitro, inclusive, foi excluído do quadro da Federação, de tão bom que era…”

Mensagem para os jovens

Ainda nessa entrevista, Hélio Amorim deixou um recado:

“Para os jovens, eu deixo uma mensagem: futebol é o melhor esporte que existe e tem que ser levado a sério. Futebol é uma constância. Na minha nós treinávamos quatro vezes por semana. Você tem que ter intimidade com a bola. Tem que fazer sacrifício. Quando você se esforça, se dedica, você vai ser gratificado, pois aí a torcida aplaude.”

PTC

Hélio Amorim foi destaque ainda no Patos Tênis Clube, auxiliando de todas as formas para o crescimento do clube, sendo seu presidente. O PTC realiza entre os seus associados,  o Torneio “Hélio Amorim”. O estadinho do Clube, no final da Avenida Getúlio Vargas leva o home de “Hélio de Castro Amorim”.

Foto

A foto desta postagem foi um presente do Hélio. Em junho de 1979, ele dirigia algumas palavras durante a inauguração do Estadinho que levava o seu nome. A reportagem da Rádio Clube estava lá presente. Podemos ver, Hélio Amorim cerca de alguns amigos, entre eles, Nenenzão, Bonfim, Rogério, Celso, Carlos Pelet, Pão da Ribeiral  (e outros que não conseguimos, ainda, identificar).

Os nossos sentimentos à toda a família, pelo falecimento de Hélio Amorim, um verdadeiro desportista. De luto o esporte de Patos de Minas.

 

Adamar Gomes – www.agesporte.com.br